Segundo dia do CONGREGARH reúne debates sobre liderança, accountability e inteligência artificial

A programação da manhã contou com a participação do economista André Nunes de Nunes, Henri Kaham, com o case BYD; a psicóloga, Julia Gianzanti; e o CTO da Lenovo, Ed Soo Hoo

O segundo dia de CONGREGARH inicia nesta quinta-feira (01), no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre. Promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos seccional Rio Grande do Sul (ABRH-RS), o evento, que acontece até sexta-feira (2), reúne lideranças e especialistas para discutir os caminhos do trabalho, das organizações e das relações humanas diante das transformações do presente e dos desafios do futuro. Com o tema “Quem Imagina o Futuro?”, a 19ª edição propõe uma reflexão sobre a capacidade de imaginar novas possibilidades e, principalmente, sobre o papel das pessoas na construção dos futuros que serão vividos.

A programação da manhã no palco principal começou com a palestra “Visão Macroeconômica e seus Impactos na Liderança de Pessoas e Negócios”, de André Nunes de Nunes, economista-chefe do Sicredi e mestre e doutor em Economia Aplicada pela UFRGS. Nunes apresentou dados sobre o cenário econômico e o mercado de trabalho. Entre os pontos destacados, o economista chamou atenção para a perspectiva de juros estruturalmente mais altos nos próximos anos e para a percepção positiva do Brasil no cenário internacional como fornecedor estável. Também ressaltou que o país alcançou a menor taxa de desemprego de sua série histórica e registrou recorde na taxa de ocupação. Um desafio apontado foi a necessidade de ampliar a permanência de pessoas mais velhas no mercado de trabalho, especialmente diante do envelhecimento da população. Ao trazer a discussão para o contexto regional, Nunes destacou que o Rio Grande do Sul precisa estar à frente na busca por soluções para essa transformação demográfica. “O Rio Grande do Sul é 10 anos mais velho do que o Brasil em pirâmide etária”, finalizou.

Na sequência, o jornalista Henri Karam, que atua na BYD, apresentou a palestra “Decidir sem Mapa: Como Tomar Boas Decisões Quando Ninguém Tem Todas as Respostas”. Para abordar a velocidade das transformações tecnológicas, Karam utilizou como exemplo a trajetória da fabricante de veículos elétricos. Segundo ele, a empresa levou 13 anos para atingir, pela primeira vez, a marca de um milhão de carros produzidos, sendo que atualmente leva apenas dois meses para atingir esse mesmo número. Para o palestrante, o exemplo demonstra como a velocidade de evolução aumenta à medida que as organizações aprendem a lidar com novas tecnologias. Ainda, destacou a importância do repertório como ferramenta para a tomada de decisões. “O repertório ajuda as pessoas a reconhecer os sinais e a cultura ajuda a empresa a agir sobre eles”, afirmou. Karam também abordou a relação entre inteligência artificial (IA)e produção de conteúdo. Segundo ele, como as ferramentas de IA utilizam conteúdos já produzidos como base para gerar novas informações, a produção de conhecimento e conteúdo continuará sendo necessária para alimentar esses sistemas.

A terceira palestra da manhã foi conduzida por Julia Gianzanti, psicóloga e especialista em liderança e cultura, com o tema “Accountability: A Competência Essencial para Transformar seu Futuro”. A especialista explicou o conceito de accountability como a capacidade de responder pelos próprios atos e assumir responsabilidade diante das situações. A reflexão foi estruturada a partir de dois pilares: quando a dor é sua, é preciso buscar uma solução, e, quando você faz parte do problema, também faz parte da solução. A partir dessa perspectiva, Julia propôs que as pessoas olhem primeiro para a própria participação na origem dos problemas antes de direcionar a responsabilidade aos outros. “Você não muda o outro, mas muda a forma que você influencia e impacta as pessoas”, destacou.

Encerrando a programação da manhã no palco principal, Ed Soo Hoo, CTO da Lenovo, apresentou a palestra “IA, Ética e Humanidade”. A partir de histórias e referências sobre o avanço tecnológico, o executivo chamou atenção para os desafios da relação entre a humanidade e a inteligência artificial. Segundo Soo Hoo, a IA não deve ser encarada como uma guerra ou simplesmente como uma tecnologia de substituição de pessoas. Para ele, o desafio está em aprender a controlar e gerenciar melhor essas ferramentas, estabelecendo uma relação mais consciente com a tecnologia. O executivo também apresentou a perspectiva “Agora. Novo. Próximo” (Now, New, Next) como uma forma de pensar a transformação. A proposta envolve acelerar o que já existe, construir o novo e criar o próximo, tanto no ambiente corporativo quanto na vida pessoal.

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