
O ex-diretor do LinkedIn para a Europa e América Latina, Borja Castelar, e o doutor em Antropologia e autor do livro Coisa de Rico, Michel Alcoforado, destacaram a importância das human skills, do repertório humano e da cultura diante das transformações no mundo profissional no último dia do evento.
O futuro do trabalho exige mais do que domínio técnico. Essa foi uma das principais mensagens do ex-diretor do LinkedIn para a Europa e América Latina, Borja Castelar, especialista em Human Skills, durante a palestra “Human Skills na Era da Inteligência Artificial”, realizada nesta sexta-feira (2), no CONGREGARH 2026, evento promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos seccional Rio Grande do Sul (ABRH-RS), no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre.
Para Castelar, uma mudança de paradigma está em curso no mercado profissional, em que habilidades e competências passam a ter peso cada vez maior em relação aos títulos formais. “O que importa não são os títulos, mas as suas habilidades”, destacou. Segundo ele, a mentalidade de eterno aprendiz, a curiosidade e a capacidade de aprender de forma autônoma estão entre os elementos fundamentais para quem deseja liderar no novo cenário.
Castelar ressaltou que as human skills, como comunicação, criatividade, liderança, persuasão e capacidade de relacionamento, são determinantes para o sucesso profissional. Em um ambiente em que conhecimentos técnicos podem se desatualizar rapidamente, investir no desenvolvimento dessas competências se torna estratégico. Para ele, uma verdadeira revolução humanista passa também pela busca de experiências que estimulem diferentes capacidades, como o teatro para aprimorar a comunicação e música e pintura para desenvolver a criatividade. “Quem triunfa não é quem melhor sabe, mas quem melhor comunica”, afirmou.
Outro ponto central da palestra foi a necessidade de dominar a Inteligência Artificial e assumir uma postura proativa diante da tecnologia. Castelar destacou que utilizar a IA pode ser mais simples do que parece e que a qualidade das respostas está diretamente relacionada à capacidade de fazer boas perguntas e fornecer contexto. Ele também apontou que a tecnologia tende a transformar a própria forma de interação com as ferramentas digitais, com o uso crescente de comandos por voz. Na avaliação do palestrante, a IA também deve ampliar as possibilidades para quem deseja empreender, tornando mais acessíveis diferentes etapas da criação e desenvolvimento de novos negócios.
Ao abordar o desenvolvimento das human skills, Castelar destacou a importância do autoconhecimento, da identificação das próprias forças e da construção de uma proposta de valor única. Para ele, a persuasão é uma das principais habilidades humanas, já que, diariamente, as pessoas precisam apresentar ideias, negociar e convencer outras pessoas. “Escuta ativa, curiosidade, boas perguntas e interesse genuíno pelo interlocutor são fundamentais nesse processo”, salientou. A autenticidade também ocupa papel central: quanto mais verdadeira for a conexão estabelecida, maior tende a ser a capacidade de gerar confiança e influência. “A sua marca pessoal é o novo diploma universitário”, sintetizou.
Comportamentos do Agora que Moldam o Futuro que Estamos Construindo
O doutor em Antropologia e autor do livro Coisa de Rico, Michel Alcoforado, falou sobre as transformações no mundo do trabalho em sua palestra, intitulada “Comportamentos do Agora que Moldam o Futuro que Estamos Construindo”. O antropólogo destacou que a cultura funciona como uma lente para interpretar o mundo e que as organizações vivem um momento inédito, com diferentes gerações convivendo no mesmo ambiente profissional.
Alcoforado ressaltou que a velocidade das mudanças tem provocado insegurança entre os trabalhadores, especialmente diante do receio de não conseguir acompanhar as novas exigências. “Nesse cenário, os colaboradores precisam ressignificar sua relação com o trabalho, resgatar o sentido de suas atividades e construir novas formas de pertencimento”, destacou. Para o palestrante, o desafio das organizações é “restabelecer uma atmosfera comum” e “inventar um futuro possível”, criando ambientes capazes de manter as pessoas engajadas mesmo diante de um futuro que ainda não está completamente definido.
Para enfrentar esse cenário, Alcoforado defendeu que as pessoas precisam se transformar em “especialistas em cultura” e preservar aquilo que as diferencia das máquinas: o repertório humano e a capacidade de estabelecer relações. Entre os comportamentos que precisam ser revistos estão a terceirização do pensamento para a Inteligência Artificial, a confusão entre conforto e colaboração e a punição do erro em um mundo que exige adaptação constante. Nesse contexto, ele propôs recuperar a capacidade de lidar com o outro e legitimar o “não saber”, criando espaços em que seja possível aprender, experimentar e se adaptar sem que o erro represente necessariamente um custo reputacional.
O encerramento do CONGREGARH 2026 teve a apresentação da banda Papas da Língua, que lotou o auditório do Centro de Eventos da PUCRS, finalizando os três dias de palestras em alto astral.
Porto Alegre, 2 de outubro de 2026.
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