CONGREGARH debate futuro do trabalho com foco em liderança, inclusão, IA e longevidade

Programação da tarde do primeiro dia de evento reuniu especialistas e executivos em discussões sobre bem-estar, inovação, diversidade e os novos desafios da gestão de pessoas

A programação da tarde desta quarta-feira (30), primeiro dia de CONGREGARH, foi marcada por debates sobre as transformações que impactam pessoas, empresas e relações de trabalho. Ao longo das palestras, especialistas e executivos abordaram temas como respiração e bem-estar, liderança, construção de grandes projetos, inclusão, inteligência artificial e etarismo. O evento é realizado no Centro de Eventos da PUCRS e acontece até a sexta-feira (2).

A programação começou com Fera Carvalho, que falou sobre a importância da respiração e apresentou o projeto “DrogARia”. A especialista explicou a relação entre a respiração e o sistema nervoso autônomo, destacando a atuação dos sistemas simpático e parassimpático. Enquanto o primeiro está associado aos estados de alerta e emergência, o segundo atua nos momentos de descanso, contribuindo para o sono e a criatividade. “A respiração é automática para garantir nossa sobrevivência, mas ela é voluntária e consciente para permitir nossa transformação”, destacou Fera, que encerrou a apresentação conduzindo a plateia em exercícios de respiração.

Na sequência, a palestra “Marcas gaúchas que imaginam e constroem o futuro: liderando times que sonham grande” reuniu Caroline Torma, head do Planeta Atlântida na RBS, e Marcos Rossi, fundador e CEO do Gramado Summit, em uma conversa mediada por Ali Silveira. A discussão abordou a trajetória dos dois eventos e os desafios de liderar projetos de grande porte. Na abertura do painel, Ali destacou uma característica que, segundo ela, aproxima os dois projetos: “O Planeta e o Gramado Summit têm em comum o não óbvio”. Caroline Torma compartilhou sua experiência à frente do Planeta Atlântida, evento que existe há 30 anos e que passou a liderar em 2022. Ela falou sobre os desafios encontrados ao assumir o projeto e sobre a construção coletiva das soluções. “Tem mais de 4 mil pessoas trabalhando diretamente. Acho que tem muito a ver com um compartilhamento de um sonho grande”, afirmou.

Marcos Rossi contou que a ideia de criar o Gramado Summit surgiu da vontade de empreender sem precisar deixar Gramado, cidade onde nasceu e cresceu. A partir disso, decidiu criar um evento que reunisse empreendedores e permitisse a conexão entre pessoas com diferentes projetos e experiências. “Eu acho que fui agindo de acordo com cada edição do Gramado Summit. Eu via como hobby e fui me dar conta de que aquilo virou um negócio. Só existe futuro no momento em que as pessoas se conectam, trocam ideias e encontram um meio do caminho para fazer algo acontecer”, relatou.

O evento seguiu com o tema “A construção de um futuro inclusivo”, apresentado pela Dra. Daniela Bortman, primeira médica tetraplégica do Brasil, especialista em medicina do trabalho, head de saúde em uma multinacional e consultora de inclusão social. Daniela compartilhou sua trajetória pessoal e profissional. Aos 23 anos, quando cursava Medicina, sofreu um acidente de carro que a deixou tetraplégica. “Eu não sabia como existir, porque tudo que eu sabia fazer dependia de comandos do meu corpo que ele não respondia mais”, relatou. Após o acidente, Daniela chegou a pensar em desistir da carreira, mas foi incentivada pelo pai a continuar a faculdade e buscar sua inserção no mercado de trabalho. Ao tentar retornar ao curso de Medicina, foi informada de que não poderia seguir na graduação e precisou recorrer à Justiça para garantir o direito de concluir sua formação. Ao compartilhar a experiência com o público, Daniela reforçou a responsabilidade das organizações na construção de ambientes mais inclusivos. “Quem trabalha com gente não pode se dar ao luxo de não ser inclusivo”, afirmou.

Na sequência, Rafael Martins, que atua diretamente com letramento de inteligência artificial para executivos, mediou o painel “IA aplicada à liderança e RH”, com a participação de Carolina Ferreira, diretora de Pessoas da Alelo, e Fernanda Brunetto, VP de Recursos Humanos da ANDRITZ Hydropower. As executivas compartilharam experiências sobre a implementação da digitalização e de ferramentas de inteligência artificial em suas organizações, discutindo também os impactos dessas transformações sobre o trabalho e a gestão de pessoas. Fernanda destacou uma perspectiva positiva sobre a relação entre profissionais e tecnologia. “Que a gente possa falar que nós seremos melhores com a IA”, afirmou. Carolina, por sua vez, lembrou que a automação de processos não é um fenômeno recente e está presente no mundo do trabalho desde a Revolução Industrial. Para ela, a diferença está no nível de envolvimento das pessoas com a transformação atual. “A gente está falando sobre automatizar processos, mas de uma forma que tenhamos um desenvolvimento direto”, explicou.

Encerrando o primeiro dia do CONGREGARH, Fran Winandy e Fera Carvalho Leite participaram do painel “Etarismo e seus impactos na vida e nas empresas”, mediado por Alice Urbim. A conversa trouxe reflexões sobre o envelhecimento da força de trabalho e os impactos do etarismo, especialmente sobre as mulheres. Fran destacou que as carreiras estão se tornando mais longevas, enquanto as pessoas permanecem por mais tempo no mercado de trabalho. “O que acontece é que as carreiras estão mais longevas, a gente está vendo mais, está trabalhando até mais tarde. Então, 50 anos não é velho, não é tarde. Só que as empresas ainda não absorveram isso”, afirmou. Fera Carvalho Leite chamou atenção para os efeitos sociais e emocionais da exclusão provocada pelo etarismo. “Uma pessoa num determinado número de anos de vida é invalidada, não é vista, é rejeitada, é excluída, tem um grande sentimento de solidão, de não pertencimento e de medo”, afirmou. A discussão foi encerrada com uma reflexão sobre a importância de valorizar profissionais 60+ dentro das organizações e de promover uma convivência entre diferentes gerações no ambiente de trabalho.

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