CONGREGARH 2026 inicia com reflexões sobre o futuro e as emoções

A 19ª edição do evento, promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos seccional Rio Grande do Sul (ABRH-RS), reúne lideranças e especialistas no Centro de Eventos PUCRS até a próxima sexta-feira (2).

O CONGREGARH 2026 foi oficialmente aberto nesta quarta-feira (30), no Centro de Eventos da PUCRS, em Porto Alegre. Promovido pela Associação Brasileira de Recursos Humanos seccional Rio Grande do Sul (ABRH-RS), o evento reúne, até a próxima sexta-feira (2), profissionais, lideranças e especialistas para discutir os caminhos do trabalho, das organizações e das relações humanas diante das transformações do presente e dos desafios do futuro. Com o tema “Quem Imagina o Futuro?”, a 19ª edição propõe uma reflexão sobre a capacidade de imaginar novas possibilidades e, principalmente, sobre o papel das pessoas na construção dos futuros que serão vividos.

O presidente da ABRH-RS, Pedro Fagherazzi, destacou o tema desta edição: “À primeira vista, a pergunta pode parecer abrangente, mas quem trabalha com pessoas vê o futuro começar em situações bem conhecidas. Uma equipe percebe que a maneira de trabalhar já não atende a todos. Alguém faz uma pergunta que vinha sendo adiada, uma liderança escuta, reúne outras perspectivas e decide experimentar um novo caminho. É nesse momento, antes de haver um projeto pronto ou um resultado para mostrar, que alguma coisa começa a mudar e impactar o futuro. Hoje temos sistemas capazes de produzir respostas em segundos. Essa velocidade abre possibilidades para as organizações e aumenta nossa responsabilidade sobre as perguntas que fazemos. Imaginar o futuro é também criar as condições para que mais pessoas possam participar dele”.

A presidente do Conselho Deliberativo da ABRH-RS, Rosimeri Dalagnol Severo, ressaltou o caráter coletivo do CONGREGARH e o trabalho necessário para construir cada edição. “É uma satisfação estar neste evento construído por muitas mãos. Em nome do Conselho, agradeço a todos que fazem parte deste momento. Que sejam três dias de grandes conexões e de troca de experiências. Cada detalhe do evento é resultado de muito esforço e dedicação”, afirmou.

Na sequência, as diretoras da ABRH-RS e curadoras do CONGREGARH 2026, Aline Soares e Luciane Beretta, falaram sobre a relação entre tecnologia, propósito e transformação. Segundo Aline, o futuro não deve ser compreendido como algo distante, mas como um caminho que está sendo construído coletivamente. “O futuro é um caminho que estamos trilhando juntos. A tecnologia não veio para nos substituir, ela veio para nos auxiliar. Quando propósito e tecnologia são colocados lado a lado, é possível ir além da resolução de problemas e contribuir para transformar realidades.”, refletiu. Para Luciane, mesmo diante do avanço tecnológico, o elemento humano permanece no centro das decisões. “Hoje estamos aqui vivendo algo que um dia existiu na imaginação de alguém”, destacou. Para ela, uma máquina pode participar de uma decisão, mas não está na pele de quem será impactado por ela. “No final, toda decisão que é tomada por nós vai atingir alguém, vai tocar na pele de alguém. É na pele que a vida acontece”, salientou.

Medo de dar certo

A primeira palestra do Congregarh 2026 foi da jornalista, escritora e podcaster, Natália Sousa, que trouxe uma reflexão sobre um sentimento pouco discutido: o medo de dar certo. Ela apresentou situações em que conquistas, reconhecimento e grandes oportunidades podem provocar insegurança, dúvida e até a vontade de recuar.

Natália conta que realizou uma pesquisa para o seu livro, medo de dar certo, com especialistas da mente humana e com mais de 100 pessoas que confirmaram o sabotamento de seus projetos pessoais, devido ao medo de dar certo. Segundo ela, 91% das pessoas entrevistadas afirmaram já ter sentido um receio intenso diante da possibilidade de algo dar certo, enquanto 70% disseram já ter sentido vergonha de falar sobre esse sentimento.

Natália contou parte da história de seu pai, que tinha o sonho de ser jogador de futebol e foi aprovado no exame médico, porém, durante a consulta falou ao médico que havia sofrido um acidente quando pequeno e que um dos braços não esticava completamente. Diante dessa confissão, ele acabou não sendo aceito e não se tornou jogador de futebol. Com este exemplo, Natália mostrou como o medo pode levar uma pessoa a desistir de uma oportunidade antes mesmo de descobrir onde ela poderia chegar. Entre as manifestações desse sentimento, citou a procrastinação, o perfeccionismo e a tendência de evitar momentos importantes. Ela acredita que o medo nem sempre significa falta de preparo. “Nem sempre o medo é um sinal de estarmos despreparados, mas é só um sinal de que estamos lidando com a grandiosidade dos nossos sonhos”, afirmou.

Emoções como ferramenta nas organizações

O fundador da School of Emotions, cofundador da Dignity Inc. e criador da metodologia Emotion-Centered Coaching, Daniel Newby, falou sobre o tema “O Futuro será Moldado por Líderes que tenham Maestria Emocional” e, na sequência, foi entrevistado pela coach, consultora generativa e sócia-fundadora da Voal | Desenvolvendo Pessoas, Marta Magnus.

Newby conduziu uma reflexão sobre emoções e sua influência no comportamento e nas relações dentro das organizações. Logo no início da atividade, ele convidou os participantes a identificar a emoção que estavam sentindo naquele momento e compartilhá-la com quem estava ao lado. A dinâmica serviu como ponto de partida para discutir a importância do desenvolvimento da capacidade emocional no ambiente de trabalho. Segundo Newby, as emoções fazem parte da experiência humana e influenciam diretamente o comportamento. “As emoções impulsionam o comportamento”, destacou, defendendo que competências e emoções estão diretamente relacionadas às ações tomadas pelas pessoas.

O especialista também chamou atenção para a necessidade de reconhecer, nomear e regular as próprias emoções. Para ele, compreender o que se sente é um passo importante para melhorar relações, tomar decisões e lidar com situações de resistência e mudança nas organizações. Na parte da entrevista, Marta aprofundou o debate sobre o papel das emoções nas relações profissionais. Entre os pontos abordados estiveram a necessidade de expressar os sentimentos de maneira adequada, compreender as emoções dos outros e reconhecer que diferentes estados emocionais podem funcionar como barreiras ou influenciar decisões.

A palestra também trouxe a questão dos riscos psicossociais nas empresas, a importância do respeito e do cuidado e o conceito de dignidade como elemento relacionado à proteção, ao respeito e ao cuidado consigo e com os outros. Ao refletir sobre a construção do futuro nas organizações, a explanação de Newby reforçou a ideia de que as emoções podem ser uma das ferramentas mais importantes da liderança. “Em vez de serem tratadas como obstáculos, elas podem ser reconhecidas, compreendidas e reguladas para contribuir para relações mais saudáveis e decisões mais conscientes”, salientou.

Porto Alegre, 30 de setembro de 2026.

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