Café Conosco debate impacto da inteligência artificial sobre o trabalho e o papel estratégico do RH

Rafael Martins apresentou caminhos para que empresas avancem no uso da tecnologia com método, governança e foco nas necessidades reais do negócio

 

A velocidade das transformações provocadas pela inteligência artificial e seus efeitos sobre as organizações pautaram a edição do Café Conosco realizada pela ABRH-RS nesta quinta-feira, 16 de julho, na Flowork, em Porto Alegre. Com o tema “Engolido pela IA: sobreviva à maior virada do século”, o encontro recebeu Rafael Martins, CEO e cofundador da Share.

A programação foi conduzida por Carla Thomé, diretora voluntária da ABRH-RS e integrante da curadoria do Café Conosco. Na abertura, Gerson, diretor de Relações Institucionais da entidade, apresentou informações sobre o CONGREGARH 2026 e convidou o público a acompanhar a construção do congresso, que terá como tema “Quem imagina o futuro?”.

Diante de uma plateia que lotou o espaço, Rafael abordou a sensação de desorientação gerada pela quantidade de ferramentas, atualizações e novas possibilidades associadas à inteligência artificial. Segundo ele, a adoção acelerada da tecnologia exige das empresas uma análise criteriosa sobre quais aplicações geram valor e quais apenas ampliam o volume de iniciativas sem finalidade definida.

O palestrante destacou que a inteligência artificial já alcança diferentes áreas das organizações e interfere diretamente na forma como as atividades são distribuídas. Em vez de observar apenas cargos ou profissões, Rafael propôs que as empresas analisem cada fluxo de trabalho, identifiquem tarefas repetitivas e avaliem onde a tecnologia pode ampliar a capacidade das equipes.

“A revolução da IA não começa na TI. Ela começa no RH”, afirmou. Para Rafael, a tecnologia inaugura uma nova lógica de trabalho, o que coloca a gestão de pessoas no centro das decisões sobre capacitação, responsabilidades, governança e redesenho de funções.

Durante a apresentação, ele também mostrou diferentes níveis de maturidade no uso da inteligência artificial. O percurso começa pelo uso cotidiano de modelos como ChatGPT, Claude e Gemini, passa pela criação de assistentes treinados com informações da empresa e chega à integração de ferramentas em processos automatizados. Entre as possibilidades mais avançadas estão a criação de plataformas por meio de comandos em linguagem natural e o uso de agentes capazes de executar tarefas completas.

Casos apresentados por Rafael demonstraram como essa integração pode reduzir prazos e reorganizar processos. Em um dos exemplos, a automação da elaboração de propostas comerciais diminuiu de 12 dias para poucos minutos o tempo necessário entre o preenchimento de um formulário e o envio do documento ao cliente.

O palestrante também chamou atenção para a importância do letramento em inteligência artificial. A implementação, segundo ele, precisa começar pela compreensão coletiva das capacidades, dos limites e dos riscos das ferramentas. Esse repertório permite que lideranças e equipes discutam aplicações concretas, estabeleçam critérios e evitem investimentos orientados apenas pela pressão de acompanhar o mercado.

A edição reforçou a proposta do Café Conosco de aproximar profissionais de gestão de pessoas de temas que já influenciam as decisões organizacionais. Ao promover a discussão sobre inteligência artificial a partir do trabalho real, a ABRH-RS amplia o espaço para que lideranças construam respostas compatíveis com o contexto de cada empresa.

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