
Iniciativa propõe reflexão sobre o papel das organizações na construção de ambientes mais seguros e disponibiliza cartaz para uso interno nas empresas
A ABRH-RS lançou, nesta terça-feira, 23 de junho, uma campanha voltada à prevenção da violência contra mulheres no mundo do trabalho. A iniciativa foi apresentada durante o Café Conosco, com a exibição do vídeo institucional da campanha, e ativada nos canais digitais da entidade, ampliando a circulação pública da mensagem junto a lideranças, profissionais de gestão de pessoas, empresas associadas, trabalhadores e trabalhadoras.
O primeiro material disponibilizado ao público é um cartaz de orientação e apoio para uso interno nas organizações. A peça pode ser baixada pelas empresas e utilizada em murais, áreas comuns, espaços de convivência e demais ambientes de circulação, contribuindo para manter o tema presente no cotidiano institucional.
A campanha parte de uma compreensão central: o feminicídio não começa no feminicídio. Antes da violência extrema, muitas vezes há um ciclo de controle, isolamento, desqualificação, humilhação e silenciamento. Esses sinais não pertencem apenas à esfera privada. Seus efeitos atravessam a vida profissional, impactam relações, permanência, segurança emocional e capacidade de pedir ajuda.
Ao trazer o tema para o mundo do trabalho, a ABRH-RS reforça que organizações não substituem a rede especializada de proteção, mas têm papel relevante na formação de cultura. Ambientes profissionais podem naturalizar comportamentos abusivos ou contribuir para interromper padrões de violência, especialmente quando lideranças e áreas de Recursos Humanos compreendem sua responsabilidade na construção de relações baseadas no respeito.
Para o presidente da ABRH-RS, Pedro Fagherazzi, o tema exige uma resposta institucional compatível com sua complexidade. “O mundo do trabalho precisa participar dessa conversa com seriedade. A violência contra mulheres é um problema social, mas também chega às organizações: no silêncio, na queda de desempenho, no medo, no afastamento e na dificuldade de pedir ajuda. Como entidade que atua pelo desenvolvimento humano e organizacional, a ABRH-RS entende que empresas também fazem parte da rede de prevenção.”
Com linguagem institucional e educativa, a campanha propõe um deslocamento importante: tratar a prevenção não apenas como resposta a situações já agravadas, mas como responsabilidade cotidiana de cultura organizacional. Isso inclui atenção aos sinais, disponibilidade para acolher, encaminhamento adequado e compromisso com ambientes em que comportamentos de controle, desrespeito e assédio não sejam tolerados.
A diretora de Diversidade da ABRH-RS, Inês Amaro, reforça que a iniciativa busca abrir uma conversa possível e necessária dentro das empresas, sem simplificar a complexidade do tema. “Não se trata de transferir para as empresas uma responsabilidade que é de toda a sociedade. Trata-se de reconhecer que o trabalho também é um território de vínculos, sinais e possibilidades de proteção. Quando uma organização se posiciona, informa seus públicos e prepara suas lideranças para lidar com o tema, ela ajuda a romper o isolamento que tantas mulheres enfrentam.”
O cartaz disponibilizado pela ABRH-RS reúne mensagem de apoio e canais de referência, como o Ligue 180 e a Escuta Lilás. A proposta é que o material funcione como um ponto de orientação acessível, lembrando que mulheres em situação de violência, ou pessoas que identifiquem sinais de risco, podem buscar informação, acolhimento e encaminhamento.
A campanha também reforça a importância da participação dos homens na prevenção. A transformação de padrões culturais exige envolvimento coletivo, revisão de condutas e disposição para não normalizar comportamentos que sustentam desigualdades nas relações sociais e profissionais.
Com a iniciativa, a ABRH-RS reafirma seu compromisso com a promoção de ambientes de trabalho mais seguros, respeitosos e atentos à dignidade das mulheres. A entidade convoca empresas, lideranças e profissionais de gestão de pessoas a ampliarem essa discussão em seus próprios contextos institucionais.
Baixe o cartaz da campanha e utilize o material em ações internas de conscientização.










