A Educação de Jovens e Adultos: direito à educação e direito ao trabalho

Por onde passou, a tragédia causada pela pandemia da COVID-19 gerou impactos que nos fizeram pensar sobre o que realmente importa, tanto no plano individual quanto no coletivo. Apesar de motivar muitas dúvidas e angústias, a pandemia deixará importantes lições, dentre as quais se destaca a importância do conhecimento.

Conhecimento que nos faz enxergar a Ciência como uma forma de combater os efeitos nocivos do coronavírus; conhecimento sobre números que nos permitem planejar melhor nossas condições de sobrevivência em tempos de dificuldades econômicas; conhecimento que nos permite ler e interpretar melhor o que os meios de comunicação informam.

A informação de qualidade e credibilidade nunca foi tão importante, pois é ela que nos ajuda a tomar as melhores decisões. Para isso, entretanto, é preciso que tenhamos aprendido a comparar, analisar e contextualizar as informações, sob pena de ficarmos reféns da opinião alheia.

Mais do que nunca, é preciso ter acesso ao conhecimento e dominar as formas de acessá-lo!

Entretanto, no contexto educacional, o conhecimento não tem sido construído de forma igualitária. Enquanto algumas famílias viram no ensino remoto a substituição do convívio nos espaços da biblioteca, dos laboratórios e das salas de aula, outras perceberam os filhos totalmente distanciados dessa solução de ensino. Certamente, alguns pais auxiliaram seus filhos a superar esse momento, trazendo um pouco daquilo que aprenderam na escola, na tentativa de diminuir o prejuízo que essa pausa provocou no processo de aprendizagem de crianças e jovens.

Mas nem todos encontraram em seus pais o apoio para prosseguir nos estudos. O Brasil não vem garantindo a escolaridade completa para todos os brasileiros há muitas décadas, ficando em dívida com uma imensa população de jovens e adultos que não concluíram seus estudos na idade certa e que hoje são pais que não conseguem apoiar seus filhos na escola e trabalhadores que não são aptos a aproveitar as oportunidades que o contexto oferece.

Apesar da Educação de Jovens e Adultos ser uma obrigação do poder público desde a Constituição Federal de 1988, ainda não atendemos às centenas de milhares de cidadãos que não conseguiram concluir sua escolarização.

Soma-se a esse cenário o dinamismo do avanço tecnológico no cotidiano das sociedades e principalmente no mundo do trabalho. Estima-se que 54% dos adultos precisarão desenvolver novas habilidades para poderem permanecer nos seus empregos, até 2022. Nesse contexto, a evolução tecnológica, que gera dificuldades mesmo para a maioria dos adultos com escolarização concluída, impõe ainda mais obstáculos para os públicos adultos que não construíram as competências cognitivas que deveriam ter sido desenvolvidas nos ensinos fundamental e médio.

A Educação de Jovens e Adultos (EJA), nessa perspectiva, é o espaço no qual é possível retomar os conhecimentos dos alunos, considerando seus saberes e vivências, e avançar, de maneira que recuperem a crença de que são capazes de aprender. Com isso, torna-se possível resolver, com autonomia e criatividade, os problemas que lhe são colocados.

Com mais de 15 mil matrículas de jovens e adultos em sua escola e polos de EJA espalhados em todo o estado, o SESI/RS optou pelo trabalho com esse público pois entende que essa é uma das formas de cumprir um compromisso com o desenvolvimento real das pessoas e da economia deste Estado.

Com um currículo interdisciplinar, contextualizado ao mundo do trabalho e voltado para o desenvolvimento de competências socioemocionais e cognitivas, o SESI/RS tem oportunizado que muitos trabalhadores retomem seus estudos e trilhem com sucesso suas carreiras universitárias ou desenvolvam com mais qualidade suas funções profissionais.

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